Meus pais são as pessoas mais importantes do mundo pra mim e, embora eu não demonstre isso muito bem (não por querer e sim por não conseguir), não saberia viver sem eles.
Porém:
Desde pequena eu falhava miseravelmente na arte de demonstrar sentimentos.
Meu pai, que até onde minha memória alcança, trabalhava fora e eu só conseguia vê-lo aos fins de semana - o que não é nada saudável. Então, quando ele chegava, eu ficava eufórica. Vivia agarrada com ele, o tempo todo, brincando - o que eu acho que desencadeou na minha mãe um sentimento de frustração. Afinal, todos os dias, de segunda a sexta, ela estava ali comigo. Por que eu não ficava tão eufórica assim com ela?
Imagino que como eu me questiono hoje, minha mãe se questionava e ainda se questiona. Então ela começou a nutrir o seguinte pensamento (mesmo negando, é nítido): "ela gosta mais do pai do que de mim".
E hoje, anos depois, a situação é a mesma:
Meu pai ainda trabalha fora, eu ainda só o vejo nos fins de semana e minha mãe ainda acha que eu gosto mais de um do que de outro. E por mais que eu tente dizer que não é isso, que amo os dois igualmente, mais palavras parecem me faltar.
Pai, Mãe. Eu sei que eu já fiz muita merda nessa vida, apesar da meia idade. Sei que não sou a melhor pessoa do mundo, que não correspondo a muitas expectativas e que sou, mesmo que inconscientemente, ingrata. Eu não tenho a menor noção do porquê estou escrevendo um texto de merda às 07:35 da manhã de um Sábado de carnaval, mas eu só queria que, de algum jeito, vocês soubessem que eu os amo. Igualmente. Mãe, Pai. Apesar dos pesares, eu os amo.